A Questão de Gênero e a Organização
das Mulheres
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O Coletivo Estadual de Mulheres da FETRAECE existe desde 1993.
No entanto, até o ano de 1997, a organização
dos Coletivos Regionais de Mulheres se encontrava limitada a apenas
04 (quatro) regionais da Federação.
Esses Coletivos assumiram, desde logo, o desafio de trazer para
a cena política/sindical, o debate sobre a participação
das mulheres na sociedade e nas instâncias de decisão
do movimento sindical.
Foram muitas as dificuldades que as mulheres enfrentaram para se
firmarem nesse espaço naturalizado como o "lugar dos
homens”. Aos poucos foi crescendo, entre as mulheres que compunham
o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, a
consciência de que era preciso romper com a ideologia machista
que justifica o domínio masculino sobre a sociedade e sobre
as próprias mulheres.
A ampliação do número de Coletivos proporcionou
às mulheres, espaços privilegiados para a discussão
sobre sua própria vida, sobre os seus problemas específicos
e, principalmente, sobre sua luta pela ampliação dos
espaços de participação e decisão na
sociedade, em particular, no movimento sindical. Outro aspecto de
grande significado, foi o crescimento da consciência de que
o desenvolvimento da agricultura familiar, a partir de uma abordagem
de gênero, tem importante significado econômico, político
e social, uma vez que a atividade agrícola incorpora no seu
cotidiano o trabalho da mulher.
As trabalhadoras rurais se dão conta de que desenvolvem as
mesmas atividades produtivas que os homens, participam do plantio,
colheita, seleção de sementes, cuidam dos animais,
mas o seu trabalho não é considerado agrícola
nem mesmo pelos órgãos oficiais.
É exatamente aqui que começa a surgir a consciência
de que promover o desenvolvimento rural com base sustentável,
significa rever as relações constituídas entre
homens e mulheres e reconhecer que o quadro de desigualdade, subalternidade
das mulheres é incompatível com qualquer iniciativa
de desenvolvimento nos padrões a que se propõe desenvolver.
A partir desse reconhecimento, e graças à intervenção
organizada das mulheres, é que o movimento sindical passa
a buscar garantias para que mulheres e homens possam participar
igualmente da definição de políticas sociais
e econômicas, ambos/as como sujeitos produtivos e participativos
da economia. Incorporando este entendimento é que o movimento
sindical passou a priorizar a implementação de políticas
que cumpram de fato com o desafio dos desenvolvimentos pessoal,
social, político e ambiental, onde deve-se respeitar e reconhecer
as diferenças de gênero, desconstruindo qualquer idéia
de que diferenças biológicas signifiquem desigualdades
entre homens e mulheres.
O crescimento dessa consciência alavancou também o
crescimento da organização das mulheres na FETRAECE,
um processo que culminou com a incorporação do Coletivos
Estadual e Regionais de Mulheres aos estatutos da entidade. Sua
coordenadora, bem como as coordenadoras dos Coletivos Regionais,
são liberadas integralmente para desenvolverem o trabalho
específico com mulheres em todo o Estado. O que em muito
facilitou o funcionamento regular dos coletivos, possibilitando
uma participação mais efetiva das mulheres nas atividades
sindicais e mobilizações de massa.
Atualmente, em todo Estado, existem além dos 09 (nove) Coletivos
Regionais de Mulheres, dezenas de Comissões e Coletivos Municipais
organizados nos Sindicatos e centenas de mulheres ocupando cargos
nas direções dos Sindicatos e nas demais instância
da FETRAECE.
Outro avanço importante foi o estabelecimento da cota mínima
de 30% de mulheres em todas as instâncias de direção
da Federação. Esta foi uma conquista que significou/significa
para as mulheres sindicalistas uma “ação afirmativa”
na luta contra a desigualdade dentro do movimento sindical. Significa
também, acelerar a presença e a participação
das mulheres cearenses nos espaços de decisão do MSTR,
bem como em todos os níveis de responsabilidades.
Todo esse acúmulo de reflexão foi alcançado
através de muito debate em seminários, cursos, reuniões,
plenárias e em todos os espaços constituídos
pelo movimento sindical. O mais importante é reconhecer hoje
a grande capacidade de elaboração adquirida pelas
trabalhadoras que integram os Coletivos de Mulheres. É visível
as mudanças nos conteúdos das pautas de reivindicações
e nos documentos elaborados pelo movimento sindical, no tocante
às questões de gênero, como também às
questões específicas das mulheres.
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